quinta-feira, 27 de maio de 2010

Laís Bodanzky NA CABEÇA

Lista dos vencedores do Cine PE 2010:


Longas

Melhor Filme: As Melhores Coisas do Mundo, de Laís Bodanzky.
Direção: Laís Bodanzky, por As Melhores Coisas do Mundo.
Ator: Francisco Miguez, por As Melhores Coisas do Mundo.
Atriz: Paloma Duarte, por Léo e Bia (de Oswaldo Montenegro).
Atriz Coadjuvante: Mariana Nunes, por O Homem Mau Dorme Bem (de Geraldo Moraes).
Ator Coadjuvante: Bruno Torres, por O Homem Mau Dorme Bem (de Geraldo Moraes).
Roteiro (prêmio dividido): Luiz Bolognesi, por As Melhores Coisas do Mundo (de Laís Bodanzky) E Wolney Atalla e Caio Cavechini por Seqüestro (de Wolney Atalla).
Fotografia: Mauro Pinheiro Jr., por As Melhores Coisas do Mundo (de Lais Bodanzky).
Montagem: Marcelo Moraes e Marcelo Bala, por Seqüestro (de Wolney Atalla).
Trilha Sonora: Oswaldo Montenegro, por Léo e Bia (de Oswaldo Montenegro).
Direção de Arte: Cássio Amarante, por As Melhores Coisas do Mundo.
Edição de Som: Alessandro Laroca, por As Melhores Coisas do Mundo.
Prêmio Especial do Júri: Rogério Fróes, por Não Se Pode Viver Sem Amor (de Jorge Durán)
Melhor Filme/Júri Popular: O Homem Mau Dorme Bem
Prêmio da Crítica: As Melhores Coisas do Mundo

CONSELHO À VENDA >> Colabore com seu biógrafo

Reza a lenda que este texto foi escrito por Nizan Guanaes, paraninfo de formatura na FAAP:

"Dizem que conselho só se dá a quem pede"
E, se vocês me convidaram para paraninfo, estou tentando acreditar que tenho sua licença para dar alguns.
Portanto, apesar da minha pouca autoridade para dar conselhos a quem quer que seja, aqui vão alguns, que julgo valioso.

NÃO PAUTE SUA VIDA, NEM SUA CARREIRA, PELO DINHEIRO
Ame seu ofício com todo o seu coração. Persiga fazer o melhor.
Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como consequência.
Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser um grande bandido, nem um grande canalha.
Napoleão não invadiu a Europa por dinheiro.
Hitler não matou 6 milhôes de judeus por dinheiro.
Michelangelo não passou 16 anos pintando a capela Sistina por dinheiro.
E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar.
E tudo que fica pronto na vida, foi construído antes, na alma.
A propósito disso, lembro-me de uma passagem extraordinária que descreve o diálogo entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano.
O milionário, vendo-a tratar daqueles leprosos, disse:
"Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo".
E ela respondeu:
"Eu também não, meu filho".

Não estou fazendo com isso uma apologia à pobreza, muito pelo contrário.
Digo apenas que pensar e realizar, tem trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

MEU SEGUNDO CONSELHO:
Pense no seu País. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.
Afinal é difícil viver numa nação onde a maioria morre de fome e a minoria morre de medo. O caos político gera uma queda de padrão de vida generalizada.
Os pobres vivem como bichos, e uma elite brega, sem cultura e sem refinamento, não chega a viver como homens. Roubam, mas vivem uma vida digna de Odorico Paraguaçu.

MEU TERCEIRO CONSELHO VEM DIRETAMENTE DA BÍBLIA:
"Seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito."
É exatamente isso que está escrito na carta de Laudicéia: Seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito:
É preferível o erro à omissão. O fracasso, ao tédio. O escândalo, ao vazio. Porque já vi grandes livros e filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso.
Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso.
Colabore com seu biógrafo. Faça, erre, tente, falhe, lute.
Mas, por favor, não joque fora, se moldando, a extraordinária oportunidade de ter vivido.
Tendo consciência de que, cada homem foi feito para fazer história.
Que todo homem é um milagre e traz em si uma revolução.
Que é mais do que sexo ou dinheiro.
Você foi criado, para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, e caminhar sempre, com um saco de interrogações na mão e uma caixa de possibilidades na outra.
Não use Rider, não dê férias a seus pés. Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: eu não disse!, eu sabia!
Toda família tem um tio batalhador e bem de vida.
E, durante o almoço de domingo, tem que aguentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo que ele faria, se fizesse alguma coisa.
Chega dos poetas não publicados.
Empresários de mesa de bar.
Pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas que na segunda não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, porque não sabem recomeçar.
Porque não sabem trabalhar. Eu digo: trabalhem, trabalhem, trabalhem.
De 08:00 às 12:00, de 12:00 às 08:00 e mais se for preciso.
Trabalho não mata. Ocupa o tempo. Evita o ócio, que é morada do demônio, e constrói prodígios.
O Brasil, este país, este país de malandros e espertos, da vantagem em tudo, tem muito que aprender com aqueles trouxas dos japoneses.
Porque aqueles trouxas japoneses que trabalham de sol a sol construíram em menos de 50 anos, a 2ª maior mega potência do planeta.
Enquanto nós, os espertos, construímos uma das maiores IMPOTENCIAS do trabalho.
Trabalhe! Muitos de seus colegas dirão que você está perdendo sua vida, porque você vai trabalhar enquanto eles veraneiam.
Porque você vai trabalhar, enquanto eles vão ao mesmo bar da semana anterior, conversar as mesmas conversas, mas o tempo, que é mesmo o senhor da razão, vai bendizer o fruto do seu esforço, e só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e o mundo que os acomodados não conhecerão.
E isso se chama sucesso.

Nizan Guanaes.

IN DICA >> Acessórios e Achados

Indicação de origem duvidosa e finalidade certeira, visto que a dona desse blog é muito minha amiga e não deixa a desejar. Vale a visita.

terça-feira, 18 de maio de 2010

VIAJO PORQUE PRECISO, VOLTO PQ TE AMO


Com esse título, quem resistiria? Não me contive e fui ao cinema cheia de esperança e expectativa de um belo água com açucar e me dei mal, ou bem, dependendo do ponto de vista, porque o filme era pura poesia, mas abandono e solidão.
Impagavél a prostituta que diz querer UMA VIDA LAZER e a definição do que seria esta vida e ainda, atenção para trilha sonora recheada de clássicos sertanejos, com uma bela canção de Noel Rosa pra salvar a reputação, rs.
Um "road movie" de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz. Sinopse, press-book e entrevista com os diretores aqui.

"Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo é um filme gratuito. Quero convocar aqui toda a ambivalência desse termo. Gratuito no que significa de infundado, vadio e arbitrário, mas também de espontâneo, despojado e generoso. "

segunda-feira, 12 de abril de 2010

quinta-feira, 8 de abril de 2010

RESPOSTA

Mudam as andorinhas

em busca de alimento e água potável

O mesmo jardim

ali padece

no limbo envenenado

Cansei de vento contra

de gaiola e de ração

Lembrei que tenho asas

Vôo a favor,

Quer queira

Quer não.


(Meliane Moraes)

Um bom conselho

Não existe processo de mudança,
existe START de mudança.


[enter]

Ps.: Frase de autoria não revelada, o enter é meu

RESTA UM >> cara ou coroa



PONTO FRACO

A formação primeira veio do acaso

e na reação manteve forma

de mousse dos Deuses à gororoba

da cana e do açúcar, mel e tristeza

estranha firmeza de homem delicado

desencana

descompensado,

bagaço sem álcool, azedo e insosso

REALIDADE

A CORDA já não garante o elo

AGORA,

dois pontos coexistem

em mundos diferentes

AMARELOU

.

(Meliane Moraes)

sábado, 3 de abril de 2010

FESTA DO BOI



SÁBADO 03/04
às 17h
Pça do boi no morro do querosene.

quarta-feira, 31 de março de 2010

ÚLTIMA FALCATRUA

Balada e teatro ou Teatro balada. A peça é dentro do vegas, no bar, palco, em todo ambiente. Ótimas performances e texto com muito humor. A personagem que faz cinema na faap dá o que falar e se envolve num filme pornô, confusão na edição e créditos para o espertinho Sicky Boy (Looser) meu preferido, ha ha.

Lero lero da Ideia Fixa.

Lero lero da Veja Sp.

UMA DOSE de poesia

A vida é um incêndio:
nela dançamos, salamandras mágicas.
Que importa restarem cinzas se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!
Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...

(Mário Quintana)

sábado, 27 de março de 2010

INTERC@MBIO.COM


Bacanérrimo os blogs do INTERC@MBIO.COM (Jornal da Tarde, Globo.com). Narram experiências de jovens intercâmbistas pelo mundo. Um casal em Londres, Arianne Thral e Marco Estrella; o blog do Christiano Reis, em Tóquio; do Rodrigo Aguiar, em NY e da Thais Venosa, em San Diego. Contos de vida.

terça-feira, 23 de março de 2010

OLHA AÍ



Vencedor do Oscar 2010 de Melhor Filme Estrangeiro O SEGREDO DE SEUS OLHOS desbancou o preferido da academia A FITA BRANCA de Michael Haneke (Alemanha) e passou a frente do israelense “AJami” Scandar Copti e Yaron Shani, do peruano "A Teta Assustada, de Claudia Llosa e do francês "O Profeta", de Jacques Audiard. Segundo Oscar argentino nessa categoria, o primeiro foi com “A História Oficial”, de 1985 (Luis Puenzo). “Salve Geral” de Sérgio Resende representaria o Brasil no Oscar, mas não se classificou entre os finalistas.
Roteiro escrito pelo diretor argentino Juan José Campanella (O Filho da Noiva – 2001 / O mesmo amor, a mesma chuva - 2000) com ajuda do próprio autor do livro adaptado, Eduardo Sacheri, “La Pregunta de Sus Ojos”. Trata-se da iniciativa de Benjamim Espósito (Ricardo Darín), um defensor público aposentado, escrever um romance sobre a investigação de um crime hediondo (estupro) não solucionado há 25 anos do qual não pode esquecer por sua consciência e também esse caso ser o marco de sua decisão em sair da cidade onde corria risco de vida e se afastar de Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil), sua chefe no tribunal. Omitiu o amor que sentia por ela, de família rica e tradicional e se contentou com a empatia para com o marido da vítima, o tímido bancário Ricardo Morales (Pablo Rago) que após ter conseguido se casar com a bela mulher que almejava tem seu amor interrompido e precisa lidar com essa ausência.
O livro busca respostas do passado sobre o caso Morales e tenta resgatar a história de seu grande amor platônico com o intuito de fazer diferente e apostar a última ficha. Esclarecer a consciência através das lembranças de Espólito e de Irene, procurada para ajudálo no romance.
Em meio as investigações analisa fotos antigas do casal e verifica um personagem sempre presente a OLHAR obsessivamente para Liliana Coloto (Carla Quevedo) num gestual mais evidente que a linguagem numa atmosfera que contamina.
O defensor tem um parceiro alcoólatra, Pablo Sandoval (Guillhermo Francella) figuraça que ajuda a desmitificar os bastidores do Judiciário onde também há disputa de poder, traições e algo de injustiça. Culpado da prória vida pelo alcoolismo adquirido na insatisfação com o trabalho , Pablo na tentativa de redenção faz justiça com o próprio corpo, como que para provar o seu real valor. Tem uma passagem de humor inteligente onde Espósito e Sandoval procuram pelo Assassino Isidoro Gómez (Javier Godino) com uma única pista baseada no insigth de Sandoval após uma bebedeira. AS PESSOAS MUDAM TUDO, MENOS DE PAIXÃO. Então acabam esbarrando no réu num estádio de futebol. Cômico!
Em busca das respostas nos deparamos com duas perguntas que nos levam a reflexão.
O que seria a pena e a justiça para um assassino? Para a família da vítima?
Conseguíriamos suportar a dor da ausência do amor interrompido violentamente, impune, sem nos contaminar pela vingança e pelo “olho, por olho, dente por dente”?

Meliane Moraes



História Oficial

IN - EDIT

FESTIVAL INTERNACIONAL DO DOCUMENTÁRIO MUSICAL

SÃO PAULO
18.03 a 28.03


RIO DE JANEIRO
02.04 a 08.04


Veja a programação no site oficial.

OFICINAS DE HQ E ILUSTRAÇÃO >> GRÁTIS


Oficinas de HQ e Ilustração gratuitas em várias bibliotecas públicas da cidade com diferentes profissionais.

Veja a programação completa com todos os lugares, horários e telefones no blog do Ilustrador e um dos oficineiros Weberson Santiago que "tuitou" a informação no Desingflakes.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

BIKE TRIP >> ESTRADA REAL

Saída hoje de São Paulo, rodoviária Tietê, viação útil, com destino a Mariana. Bike, alforges e empolgação. Em duas pessoas faremos um trajeto da estrada real de Mariana à São João Del Rei (caminho velho) , como a intenção é curtir e conhecer as cidades históricas e pessoas que por lá moram, vamos nos jogar ao sabor de imprevistos. Pedalaaaaaaaaaaaaaa!

Ps.: Para saber um pouco sobre a ESTRADA REAL e MINAS GERAIS.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

VEJA

E-mail Marketing da Editora Abril.
Boa sacada... VEJA

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

...

Todo final feliz acaba em reticência...
PONTO

...

Todo final feliz acaba em reticência...
PONTO

segunda-feira, 2 de novembro de 2009



"Metade adorada de mim...

...Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu..."

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

INDIE 2009

Último dia >> CORRE

"As retrospectivas presentes na Indie 2009 reafirmam esse possível ideário do cinema independente, e são dedicadas aos cineastas Brillante Mendonza, Naomi Kawase e Philippe Grandieux.
Uma produção intensa e transgressora que convida o público para o exercício do olhar que reflita a condição humana, por meio de muitas histórias poéticas que traduzem a fluidez da vida."

Danilo Santos de Miranda

Diretor Regional do Sesc São Paulo

Presidente do Comissariado do Ano da França no Brasil


Site Indie

Escória


Ao pé da árvore (linda trilha)

sábado, 19 de setembro de 2009

À Deriva


À Deriva tem roteiro e direção de Heitor Dhalia em parceria com a cineasta e atual namorada Vera Egito. Diferente de "O Cheiro do Ralo" e "Nina", baseado em obras literárias, trata-se de uma ficção com um tanto de autobiografia, pois o diretor viveu a infância na praia e testemunhou a separação dos pais.
Uma jovem de 14 anos, Felipa (Laura Neiva, encontrada via orkut e msn) assiste ao fim do casamento dos pais e consequente desestruturação da família enquando enfrenta as dificuldades e os ritos de passagem para a vida adulta. Projeta a relação dos pais no início da sua sexualidade e tenta lhe dar com a queda do esteriótipo de "pais heróis".




Curta de Vera Egito:




Site Oficial do filme

Blog do Filme

sábado, 29 de agosto de 2009

IN DICA >> sacola redutora a vácuo

Dá até vontade de entrar numa loja dessa, sinto-me uma pessoa organizada só de olhar.
Entre os mil e um produtos mega interessantes, escolhi a sacola redutora a vácuo como "must have". Para fazer malas de viagem ou mesmo ornanizar o guarda-roupa. Chamadas no exterior de "space bags", já a venda em terras tupiniquins e euzinha apenas não sabia da existência desse produto, mas sabia que precisava, rs.


Um edredom de casal,
mais um travesseiro:
redução de 53% na altura.





(foto do EFETIVIDADE.NET)




Dá uma olhadinha no post do EFETIVIDADE que o cara explica tudooooo.

Vou de TAXI

Antes de sair de casa com endereço certo para diversão em tempos de lei seca, podemos calcular o valor do taxi, ótimo para quem adora uma planilha, principalmente em tempos de crise e sustentabilidade.
O site TAXI.COM.BR calcula o valor da corrida baseado na informação de origem e destino e fornece o valor exato em Bandeira 1 e 2, além de apontar rota no mapa e ainda especificar caminho passo a passo.

Minha pesquisa teste foi da Avenida Ipiranga, 100 até a Avenida Brasil, 100.
R$18,56 bandeira 1
R$24,14 bandeira2


Para quem não mora no eixo Rio-Sp, o serviço é disponível em várias capitais. Bom também para evitar voltas naquela cidade em que não conhece.

Ps.: Um único problema. Mesmo voltando de táxi sem o perigo do bafômetro e de colocar vidas em risco, vc terá que se preocupar em lembrar o endereço de volta pra casa, kkkkkkk. Saia com o papelzinho no bolso...

"Just wanna have fun"

sábado, 22 de agosto de 2009

terça-feira, 4 de agosto de 2009

PAIXÃO E TRANSFORMAÇÃO

Paixão é encantamento, idealização do outro. Não existem defeitos, apenas o desejo da fusão, de ser um só, de poder ser acolhido e acolher. Não existe nada em volta, tão somente dois em um. Na natureza, sem paixão não existiria atração, desejo de fusão, de acasalamento, como na dança dos animais, um processo natural de atração mútua. Não é permitido ver defeitos, falhas - o feio e o não atraente não existem. Somente encantamento.

Paixão é criança "pulando feito pipoca" quando os pais chegam. As crianças precisam idealizar os pais para se sentirem protegidas e amadas. Não é permitida nenhuma desilusão nesse encantamento. Crianças não têm sustentação para entrar em contato com os defeitos dos pais, precisam ser mantidas dentro da imagem ideal.

Na paixão - a forma mais infantil de amar - os apaixonados não suportam desilusões, nem que o outro não corresponda à sua idealização. Muitos se desiludem dizendo: "Não era o que eu imaginava...". Pessoas assim têm medo de crescer e passam a vida de uma paixão para outra. Com a permissividade atual, estamos na era da "fast-paixão". Corremos o risco de infantilizar a forma de amar, sem suportar relações que vão além da idealização.

Esse é o amor idealizado! Crescer é dizer adeus às ilusões. Aí chega a fase da desilusão, do desencantamento que vem com a adolescência: "Meus pais não são o que eu imaginava...". Se a paixão leva à fusão, a desilusão leva à busca da própria identidade: "Sou diferente dos meus pais, não penso como eles".

Sem desilusão, a pessoa não cresce e não se diferencia. Muitos casais buscam se manter na paixão para não se desiludir, infantilizando a relação.
A desilusão destrói o encantamento, mas traz realidade, identidade e individualidade. Nesse momento, os dois lados têm medo da ruptura e voltam a nutrir bons sentimentos. Mas surge depois outra irritação e tudo vira intolerância, implicam com tudo e, novamente, morrem de medo de perder um ao outro.
Esse é o ódio idealizado porque como amor idealizado não é real, é na verdade uma projeção de afetos!
Assim chegamos à fase adulta, em que podem admirar as qualidades e suportar os defeitos do outro, encontrando equilíbrio entre o amor e ódio, sentimentos antagônicos que juntos constroem a têmpera do Amor Adulto.
Numa festa de bodas de ouro, perguntaram à noiva como foram os 50 anos ao lado daquele homem. Ela respondeu "Foi duro!Mas eu gosto dele, fazer o quê?!"

(Edson Galrão de França - psicólogo clínico, psicoterapeuta corporal e consultor de empresas)

quinta-feira, 30 de julho de 2009

LOKI



Tive o prazer de assistir ao show dos mutantes (com Zélia Duncan) no parque da Independência em 2006, mas não tinha idéia de quanto isso significava para o Arnaldo. Fui porque gostava dos Mutantes, sempre fui fã e não entendia também porque a Rita Lee saiu da banda e recusou o convite para voltar. O filme joga um pouco de luz sobre a história, sem explicação, a dúvida permanece, porém a admiração por Arnaldo aumenta e podemos sentir a angústia e a incompreensão sufocando. No disco Loki e no filme está claro o quanto o primeiro amor significou para ele.

Link para discografia do Mutantes,Arnaldo Baptista e pressbook do filme. No PIRATA DO ROCK.
Twitter do filme.

 Arnaldo Baptista - Ce Ta Pensando Que Eu Sou Loki


Música...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

UMA RESPOSTA

O Livro da Solidão
Cecília Meireles

Os senhores todos conhecem a pergunta famosa universalmente repetida: “Que livro escolheria para levar consigo, se tivesse de partir para uma ilha deserta…?”

Vêm os que acreditam em exemplos célebres e dizem naturalmente: “Uma história de Napoleão.” Mas uma ilha deserta nem sempre é um exílio… Pode ser um passatempo…

Os que nunca tiveram tempo para fazer leituras grandes, pensam em obras de muitos volumes. É certo que numa ilha deserta é preciso encher o tempo… E lembram-se das Vidas de Plutarco, dos Ensaios de Montaigne, ou, se são mais cientistas que filósofos, da obra completa de Pasteur. Se são uma boa mescla de vida e sonho, pensam em toda a produção de Goethe, de Dostoievski, de Ibsen. Ou na Bíblia. Ou nas Mil e uma noites.

Pois eu creio que todos esses livros, embora esplêndidos, acabariam fatigando; e, se Deus me concedesse a mercê de morar numa ilha deserta (deserta, mas com relativo conforto, está claro — poltronas, chá, luz elétrica, ar condicionado) o que levava comigo era um Dicionário. Dicionário de qualquer língua, até com algumas folhas soltas; mas um Dicionário.

Não sei se muita gente haverá reparado nisso — mas o Dicionário é um dos livros mais poéticos, se não mesmo o mais poético dos livros. O Dicionário tem dentro de si o Universo completo.

Logo que uma noção humana toma forma de palavra — que é o que dá existência ás noções — vai habitar o Dicionário. As noções velhas vão ficando, com seus sestros de gente antiga, suas rugas, seus vestidos fora de moda; as noções novas vão chegando, com suas petulâncias, seus arrebiques, às vezes, sua rusticidade, sua grosseria. E tudo se vai arrumando direitinho, não pela ordem de chegada, como os candidatos a lugares nos ônibus, mas pela ordem alfabética, como nas listas de pessoas importantes, quando não se quer magoar ninguém…

O Dicionário é o mais democrático dos livros. Muito recomendável, portanto, na atualidade. Ali, o que governa é a disciplina das letras. Barão vem antes de conde, conde antes de duque, duque antes de rei. Sem falar que antes do rei também está o presidente.

O Dicionário responde a todas as curiosidades, e tem caminhos para todas as filosofias. Vemos as famílias de palavras, longas, acomodadas na sua semelhança, — e de repente os vizinhos tão diversos! Nem sempre elegantes, nem sempre decentes, — mas obedecendo á lei das letras, cabalística como a dos números…

O Dicionário explica a alma dos vocábulos: a sua hereditariedade e as suas mutações.

E as surpresas de palavras que nunca se tinham visto nem ouvido! Raridades, horrores, maravilhas…

Tudo isto num dicionário barato — porque os outros têm exemplos, frases que se podem decorar, para empregar nos artigos ou nas conversas eruditas, e assombrar os ouvintes e os leitores…

A minha pena é que não ensinem as crianças a amar o Dicionário. Ele contém todos os gêneros literários, pois cada palavra tem seu halo e seu destino — umas vão para aventuras, outras para viagens, outras para novelas, outras para poesia, umas para a história, outras para o teatro.

E como o bom uso das palavras e o bom uso do pensamento são uma coisa só e a mesma coisa, conhecer o sentido de cada uma é conduzir-se entre claridades, é construir mundos tendo como laboratório o Dicionário, onde jazem, catalogados, todos os necessários elementos.

Eu levaria o Dicionário para a ilha deserta. O tempo passaria docemente, enquanto eu passeasse por entre nomes conhecidos e desconhecidos, nomes, sementes e pensamentos e sementes das flores de retórica.

Poderia louvar melhor os amigos, e melhor perdoar os inimigos, porque o mecanismo da minha linguagem estaria mais ajustado nas suas molas complicadíssimas. E sobretudo, sabendo que germes pode conter uma palavra, cultivaria o silêncio, privilégio dos deuses, e ventura suprema dos homens.

Ps.: DICIONÁRIO PARA QUALQUER EXPLICAÇÃO...